sábado, 28 de janeiro de 2012

Contradição


Doce veneno é o beijo que sufoca
Tua voz suave me ultraja amavelmente
E estas mãos, que nas minhas se confortam
Oh, o coração... - elas retalham fatalmente!

E pobre o peito... em desespero se divide
entre a dor fria que meus dias escurece
É o oscuro lado assombroso que coincide
com o puro amor que em rubras noites cede, aquece...

Se por ti sofro, ou se contigo eu rio agora
Eu não sei - com tal paixão que me atormenta
Se fico aqui, ou se por fim irei embora!

Quanto as respostas às tolas queixas que me faço?
Livrarei-me do amor nobre que alimenta?
ou do ego austero que congela com abraço?

*Poema escrito em 2001, reeditado em 2012.

Um comentário:

Davi Machado disse...

Bom o soneto.
Acho interessante quando um poema termina em indagação. Fica para cada um a resposta de cada um.