segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Um soneto inacabado


- Que trazes nestes bolsos? - pergutaram
ao ébrio poeta... arredio e vagabundo
- Quantas farpas teus algozes te lançaram!
Tantas pedras e não ergueste um frágil muro!

Que valores das venturas vens trazendo?
Não tens leito onde desliza a tola pena
- A roupa é rota, a vida é curta  e só o poema
deu-me o amor, trouxe este vinho e bons momentos...

Entregue à tarde, eu busco o umbral d'um arvoredo
Do que me adianta? Seguir montanhas já cansado?
Viver pedaços e fazer versos inteiros?

Lançou-me dó, um anjo, o olhar de desespero
Oh! Não tenho, minha dama, algum trocado
apenas sonhos e um soneto inacabado!

2 comentários:

Fєrnαndєz ♠♠ disse...

Lindo, simplismente lindo. Tua poesia cada vez mais beira a perfeição.

Ex.: Quão bom seria do o poeta pudesse viver da sua propria poesia.

Davi Machado disse...

Nossa!!
que mágico! adorei!